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terça-feira, 16 de abril de 2013

quinta-feira, 14 de março de 2013

2 dedos de Prosa para o dia Nacional da Poesia


Hoje é um dia Feliz, um dia de comemoração como todos os outros dias, porém, também é um dia de reflexão para todos nós que trabalhos e dedicamos nossas vidas a pensar políticas e ações para o livro, leitura e literatura no Brasil, mais especialmente no campo da poesia.
A Poesia nos atinge, sejamos quem for ou de que classe for, é uma necessidade básica, um gosto e um deleite natural que vai crescendo em nós à medida que vamos desenvolvendo nossa linguagem, podemos constatar isso observando a pesquisa retratos da leitura do instituto pró-livro que apontou o gênero poesia como um dos preferidos entre as crianças, é como diria o José Paulo Paes: “Poesia é brincar com palavras”, mas parece que essa brincadeira não é muito bem vista pelo estado, pelo governo e pela educação nesse nosso país, onde existe um mito de que para adentrar ao mundo da poesia é preciso ser um iniciado, o detentor de um conhecimento especial. Balela!
Todos temos necessidades estéticas e poéticas, todos conseguimos entender compreender e sermos afetados, prova disso é nossa música que absorveu muito a poesia, pois infelizmente ainda não somos um país que desenvolveu a cultura do livro pelo simples fato que a literatura é algo perigoso e não é interessante nem para estado nem para o capital termos pessoas um pouco mais emancipadas.
Contudo, entre tantos dissabores, resistimos e existimos, espalhando poesia na vida das pessoas, fazendo da nossa vida um poema. Tenho a certeza de que esse caminho que eu escolhi não é um caminho vão, é um caminho de tentar fazer significar a vida das pessoas, o caminho da palavra, o caminho do amor.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Reconhecimento do Corpo, ou Mais um poema para a Maraponga


Era eu todo pranto,
Revolta e lamentação
.
Cada prédio enfiado na terra
Doía-me como um cravo enfiado no pé;
Cada pé de jambo arrancado
Fosse uma unha de minha mão.
Não existia um pagão ou um cristão
Que fenecesse da ferida da modificação
Da Maraponga
Como eu fenecia
 .
Vestia a glória de ser seu único amante
Queixoso dessa degradação
 .
A verdade é que meu grito
Cobria as vozes das coisas;
Bastou eu calar
Para escutar o choro do concreto.
Os condomínios se defendiam
E os azulejos da loja de pisos
Murmuravam vergonhas por não possuirem
Formato nem vida
Nem cor
Das samambaias que um dia estiveram
Naquele lugar
 .
Olhei para o chão
Já não havia paralelepípedos como meio-fios.
Em que eu me equilibraria agora
?
O asfalto jovem convidou-me
A ir até o campinho do Holanda
Conversar com as ruínas do antigo casarão dos correios
Que desejava ter comigo
"
Já abriguei notícias e crimes
Fui cenário de modernidade
Agora abandonada sou casa
De drogas vadiagem e violência
Menino, nada disso foi desejo meu
Onde foi que já se viu tijolo e cimento
Desejar?
 "
Era como se eu visse toda a Maraponga do alto,
Como se atravessasse sua lagoa
E da travessia
Pudesse enxergar todas as Maraponga
Que existiram e que existirão.
Todas,
Em sobreposição
 .
A verdade é que eu não sabia das coisas
E as coisas não sabiam de mim.
As ruas Leon Gradvohl, Francisco Glicério
Uirapuru
E a avenida Godofredo Maciel
Agora são veias

A Maraponga é um corpo humano
 .

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Poema




Esgotei todo avexame

Tenho presa de não ter presa

Sinto falta

Daquela calma que não oprime.
                             
O prazo que não prezo é tão curto,

Precisa ser cumprido.

O resultado mensurado

Denuncia

O esforço mínimo

Não recompensado

De só querer
Viver poesia.

Meu coração agora é um coração despovoado. 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Ranhuras no cotidano


Aqui existia uma escola, hoje se tem prédios; eu não os vejo, vejo a escola que por um momento não lembro o nome, porém torna e quando torna toda ela é concreta e surge diante dos meus olhos, para me convencer que os espaços são feitos pelo que sentimos de modo que ao passar pelas ruas da Maraponga ainda vejo escolas mortas e pés de jambos; ela toda é e existe com escolas mortas e pés de jambos, tudo sempre como ontem, enxergo com olhos de passado.

*
Um homem galopa a cavalo, com se fosse ontem, se eu não tivesse feito à escolha de descumprir uma obrigação não teria visto isso, como não teria escutado esses pássaros, não teria sentido esse vento, não teria expulsado essa formiga e todos esses presentes de vida improvisada que agora ganho da lagoa da Maraponga.

*
Verdade que eu deveria estar fazendo minha obrigação, mas não fazer também me obriga.

*
Aqui redescubro um território que é tão meu, redescubro que tenho medo de gentes. Queria estar só, sendo que estar só é impossível.

*
Esquadrinho minha memória para descobrir em que momento eu ganhei o medo de gentes. Não, eu não tenho medo de gentes, nunca tive, tenho medo de perdas.
-
Territórios, terrenos transitórios. Nem sei o porquê desse pensamento, sei que de alguma maneira esse pensamento me salva o dia. 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Desconfiei


Desconfiei
que secaram todo o leito
do rio
da palavra

Desconfiei
que comeram
toda a carne
do poema

Desconfiei
Desconfiei
que a palavra dita
não precisa ser escrita
que a palavra dita não precisa ser escrita
que a poesia bem ou mal dita
não precisa ser escrita
que a poesia
não precisa ser descrita

Desconfiei que essa vida
não era a minha

Desconfiei do teu corpo
morto

Desconfiei do fim
do bimestre
do semestre
da gênese
e do fim

Desconfiei
de mim
de ti
de Deus
de não Deus
da ciência

Desconfiei
da minha confiança
na minha desconfiança
de tudo

Desconfiei
da espera
e do movimento

Desconfiei
forte
pleno
inteiro
e tão profundamente
Desconfiei

Desconfiei
até desaparecer
meu corpo
meu ser
meu ter

Desconfiei
Desconfigurei
Decodifiquei

Alcancei
o início

e no início
era o verbo
e o verbo
fez-se carne

e eu Desconfiei

domingo, 13 de janeiro de 2013

Arquitetura do cansaço


de modo que eu suportaria mais uma guerra,
contudo não suportaria mais uma dúvida.

Uma carcaça
em cima de outra carcaça
em cima de uma outra carcaça

nem palavras mais querem ser ditas
única vontade que ainda resta é de ler uns poemas.
Não é preciso coragem/vontade para os poemas
basta uma pequena porção de desespero.

Eu tenho

vontade de tanta coisa
vontade de inventar outra coisa
vontade de abrir a janela do planeta e mijar
por falta de energia de me dirigir até o banheiro mais próximo
até mesmo porque eu nem sei o quão distante está o banheiro mais próximo
assim como não sei o quão distante está a ilusão mais próxima.

De modo que eu suportaria mais uma eleição,
contudo não suportaria mais um talvez.

De modo que eu suportaria mais um emprego,
contudo não suportaria mais uma espera.

De modo que eu suportaria mais uma graduação,
contudo não suportaria mais uma promessa.

A lagoa da Maraponga é boa, mesmo poluída é bela
e faz parte da minha vida
A lagoa da Maraponga é a cousa mais linda que eu vejo
quase todos os dias
e mesmo assim
eu quase nunca sento em sua margem.

Eu me defendo: não prefiro outras margens, gosto mais da margem da lagoa da Maraponga
assim como prefiro Bandeira e tenho visto pouco Bandeira
assim como prefiro teatro e tenho visto pouco teatro
assim como prefiro leitura e tenho lido tão pouco
assim como prefiro minha rede e acabo me perdendo em outra, na mundial de computadores.

De modo que eu suportaria mais uma queda de internet
contundo não suportaria mais uma ausência.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Do que a gente tem


do que a gente tem

O que a gente tem
é invisível
não tem nome
e não pode ser dito

O que a gente tem
é clandestino
pecado originalíssimo
fruto proibido

O que a gente tem
é o repreensível
soma de dois mais dois
igual a cinco

Tudo por causa de quem?
Que foi que inventou o abismo?
Quem disse, de tão importante,
que eu até quase acredito

se o que a gente tem
é mais profundo
e mais bonito
que a mentira
do infinito. 

Talles Azigon

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Do que sinto


Isso que sinto
só se cura
com um copo de vinho
um livro de poesia
um disco
uma jura
só se cura
com um beijo
com o sim
do indivíduo
com o óbvio
com o ferro
com um tiro
isso que sinto
tão difícil
tão distinto
só se cura
com o gozo
do infinito
com uma festa
as duas da tarde
que fazíamos
quando eramos meninos
isso que sinto
só se cura
com notícias
científicas
de um novo remédio
antídoto
nascido
da própria corrupção
da doença
só se cura
com a negação
do sim e do não
com o pão
que nem mesmo o diabo
aceitou
isso que sinto

só.

Talles Azigon

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Suassuna


Não precisamos dos mouros
as coisas, mantemo-nas funcionando
Por incapacidade própria.

Para que exportar a morte
Se sabemos morrer por si só?
Dessas outras vaidades

Nosso jardim está repleto.
Esse movie imóvel nosso
Não carece
De participação especial.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Lectura


As ruas do centro da cidade
são feitas de asfalto, carros, poeira e calor.
O meu poema é feito de letras
dúvidas, sentimentos e esperanças.

Eu me falto.

Espero
(quem espera
sempre alcança
a distância entre sua própria espera e a esperança)
olhar daqui dessa página,
desse tablet,
dessa tela de computador
ou qualquer que seja
o suporte que tenham
inventado para suportar
a minha dor,
Teus olhos.O.O
E no fundo de mim em ti
nos lermos.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Atentado


Eu armarei para ti
com faca e garfo
com metralhadora
dispararei em cheio
no meio do teu peito
o poema mais bem feito
mais orgânico,
que deixaria
qualquer estátua de bronze
em estado agônico.
Tu vais cair de joelhos
e tua casca dura
de pura
insensibilidade
vai estilhaçar em tantas partes
que não vais resistir
e vais morrer
na beleza de um
infarte

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Parados



- Estamos parados, Ligia!
Ligia escutava tudo parada naquela parada da avenida Godofredo Maciel, naquele dia parado de um feriado santo, diferente dela que não era santa e queria mesmo era movimento de coxas, pernas, cinturas.
Contudo,
tudo estava parado.
Os cinqueta e oito dias de namoro passaram inertes. Todos os beijos, todos os toques, aconteceram de tal modo que nada tivesse acontecido.
Para tudo
parados.
Então por que ela discordaria? Não, ela não discordou, sorriu e do sorriso nasceram novas possibilidades, desapegou-se da mão dele, começou a dançar.
Correu ate o meio da avenida e dançava, dançava. Tudo se movia a cada movimento seu, menos ele que de perplexo permanecia parado na parada de ônibus sem saber se namorava com uma artista ou uma louca ou se era tudo a mesma coisa.
- Sai daí perturbada! - O tio do taxi gritou, acenou com a cabeça resmungando como esse mundo estava perdido.
- Ligia, pô! Vamos embora, olha o Zé Walter tá vindo aí.
- Vai só bebê, eu vou continuar aqui parada, dançado, mas parada.
Ele nem entendeu mesmo, deu o sinal, pagou a passagem, não resistiu e deu um ultimo olhar.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Cobranças


Cobra os cobres
que faltam na minha
carteira

Cobra as horas
diluídas em um dia de
inércia

Cobra o interesse
daqueles que não mais te
interessam

Cobra a possibilidades de amor
que te prometeram via
computador

Cobra a materialidade
das palavras trocadas
(estariam equivocadas?)

domingo, 25 de novembro de 2012

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Quando

Não tenho medo de me apaixonar.
Sou do tipo que encontra,
ao menos,
um alumbramento por dia.

E depois,
quando tudo acaba
não acaba a Poesia.

Talles Azigon

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Retrato 3x4

É preciso conversar com o nosso silêncio.
Meu maior desejo como poeta
é acordar o silêncio de quem me lê
para que os dois possam conversar
mesmo que seja só por 3 segundos.
Por isso tento usar todo o material bélico da palavra concentrada
da imagem kamikaze;
tento uma poesia atômica.
Falo muito e escrevo pouco;
aprecio a arte corrosiva
gosto mesmo é daquilo que de tão lindo
dá vontade de correr, de gritar
de bater portas e tambores
de emitir todos os possíveis barulhos.
                         Amo pernas bonitas
                         Amo olhos bonitos
                         Amo bocas bonitas
                         Amo garotos que de tão belos ofendem
pelo simples fato de serem tão belezasvitrines
que é impossível de possuí-los. 


Sou belezólatra 

sábado, 7 de abril de 2012

Cidade

A cidade morta
A cidade torta
A cidade cobra
Uma horta menos venenosa
A cidade aborta
A cidade porta
De outras cidades
Que brotam
                 Como um poste de mágica
                 De uma mesma
                 Aparente
                 Única cidade
     Cidade santa
     Confode com a cidade puta
E as minorias em maior número
Somem nos dedos de preciprédios
           Poliúnica
           Cidade
Que rima tão dificilmente fácil
Com identidade
[ descobri por exemplo deste poema que a cidade é uma abstração assim come eu ]

domingo, 1 de abril de 2012

1º de Abril

Clara Mente
Rara Mente
Real Mente
Fatal Mente
Comum Mente
Deliberada Mente
Fugaz Mente
Teórica Mente
Paralela Mente
Perfeita Mente
Livre Mente
Certa Mente
Errônea Mente
Perigosa Mente
Fácil Mente
Difícil Mente
Preguiçosa Mente
Artística Mente
Débil Mente
Displicente Mente
Calma Mente
Democrática Mente
Feroz Mente
Geral Mente
Languida Mente
Possível Mente
Mortal Mente
Prudente Mente
Verdadeiramente Mente
Gente!
A coisa não está direita
Quem é que fala verdade
Nesse planeta?