Na linha de passe
Bloqueio o tempo
Espero que você me saque.
Talles Azigon
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terça-feira, 16 de abril de 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
Reconhecimento do Corpo, ou Mais um poema para a Maraponga
Era eu todo pranto,
Revolta e lamentação
.
Cada prédio enfiado na
terra
Doía-me como um cravo enfiado no
pé;
Cada pé de jambo
arrancado
Fosse uma unha de minha
mão.
Não existia um pagão ou
um cristão
Que fenecesse da ferida
da modificação
Da Maraponga
Como eu fenecia
.
Vestia a glória de ser
seu único amante
Queixoso dessa
degradação
.
A verdade é que meu
grito
Cobria as vozes das
coisas;
Bastou eu calar
Para escutar o choro do
concreto.
Os condomínios se
defendiam
E os azulejos da loja
de pisos
Murmuravam vergonhas
por não possuirem
Formato nem vida
Nem cor
Das samambaias que um
dia estiveram
Naquele lugar
.
Olhei para o chão
Já não havia paralelepípedos
como meio-fios.
Em que eu me
equilibraria agora
?
O asfalto jovem
convidou-me
A ir até o campinho do
Holanda
Conversar com as ruínas
do antigo casarão dos correios
Que desejava ter comigo
"
Já abriguei notícias e
crimes
Fui cenário de
modernidade
Agora abandonada sou
casa
De drogas vadiagem e
violência
Menino, nada disso foi
desejo meu
Onde foi que já se viu
tijolo e cimento
Desejar?
"
Era como se eu visse
toda a Maraponga do alto,
Como se atravessasse sua
lagoa
E da travessia
Pudesse enxergar todas
as Maraponga
Que existiram e que
existirão.
Todas,
Em sobreposição
.
A verdade é que eu não
sabia das coisas
E as coisas não sabiam
de mim.
.
As ruas Leon Gradvohl,
Francisco Glicério
Uirapuru
E a avenida Godofredo
Maciel
Agora são veias
A Maraponga é um corpo
humano
.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Poema
Esgotei todo avexame
Tenho presa de não ter presa
Sinto falta
Daquela calma que não oprime.
O prazo que não prezo é tão curto,
Precisa ser cumprido.
O resultado mensurado
Denuncia
O esforço mínimo
Não recompensado
De só querer
Viver poesia.
Meu coração agora é um coração despovoado.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Desconfiei
Desconfiei
que secaram todo o
leito
do rio
da palavra
Desconfiei
que comeram
toda a carne
do poema
Desconfiei
Desconfiei
que a palavra dita
não precisa ser escrita
que a palavra dita não
precisa ser escrita
que a poesia bem ou mal
dita
não precisa ser escrita
que a poesia
não precisa ser
descrita
Desconfiei que essa
vida
não era a minha
Desconfiei do teu corpo
morto
Desconfiei do fim
do bimestre
do semestre
da gênese
e do fim
Desconfiei
de mim
de ti
de Deus
de não Deus
da ciência
Desconfiei
da minha confiança
na minha desconfiança
de tudo
Desconfiei
da espera
e do movimento
Desconfiei
forte
pleno
inteiro
e tão profundamente
Desconfiei
Desconfiei
até desaparecer
meu corpo
meu ser
meu ter
Desconfiei
Desconfigurei
Decodifiquei
Alcancei
o início
e no início
era o verbo
e o verbo
fez-se carne
e eu Desconfiei
domingo, 13 de janeiro de 2013
Arquitetura do cansaço
de modo que eu suportaria
mais uma guerra,
contudo não suportaria mais
uma dúvida.
Uma carcaça
em cima de outra carcaça
em cima de uma outra carcaça
nem palavras mais querem ser
ditas
única vontade que ainda
resta é de ler uns poemas.
Não é preciso
coragem/vontade para os poemas
basta uma pequena porção de
desespero.
Eu tenho
vontade de tanta coisa
vontade de inventar outra
coisa
vontade de abrir a janela do
planeta e mijar
por falta de energia de me
dirigir até o banheiro mais próximo
até mesmo porque eu nem sei
o quão distante está o banheiro mais próximo
assim como não sei o quão
distante está a ilusão mais próxima.
De modo que eu suportaria
mais uma eleição,
contudo não suportaria mais
um talvez.
De modo que eu suportaria
mais um emprego,
contudo não suportaria mais
uma espera.
De modo que eu suportaria
mais uma graduação,
contudo não suportaria mais
uma promessa.
A lagoa da Maraponga é boa,
mesmo poluída é bela
e faz parte da minha vida
A lagoa da Maraponga é a
cousa mais linda que eu vejo
quase todos os dias
e mesmo assim
eu quase nunca sento em sua
margem.
Eu me defendo: não prefiro
outras margens, gosto mais da margem da lagoa da Maraponga
assim como prefiro Bandeira
e tenho visto pouco Bandeira
assim como prefiro teatro e
tenho visto pouco teatro
assim como prefiro leitura e
tenho lido tão pouco
assim como prefiro minha
rede e acabo me perdendo em outra, na mundial de computadores.
De modo que eu suportaria
mais uma queda de internet
contundo não suportaria mais
uma ausência.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Do que a gente tem
do que a gente tem
O que a gente tem
é invisível
não tem nome
e não pode ser dito
O que a gente tem
é clandestino
pecado originalíssimo
fruto proibido
O que a gente tem
é o repreensível
soma de dois mais dois
igual a cinco
Tudo por causa de quem?
Que foi que inventou o abismo?
Quem disse, de tão importante,
que eu até quase acredito
se o que a gente tem
é mais profundo
e mais bonito
que a mentira
do infinito.
Talles Azigon
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Do que sinto
Isso
que sinto
só
se cura
com
um copo de vinho
um
livro de poesia
um
disco
uma
jura
só
se cura
com
um beijo
com
o sim
do
indivíduo
com
o óbvio
com
o ferro
com
um tiro
isso
que sinto
tão
difícil
tão
distinto
só
se cura
com
o gozo
do
infinito
com
uma festa
as
duas da tarde
que
fazíamos
quando
eramos meninos
isso
que sinto
só
se cura
com
notícias
científicas
de
um novo remédio
antídoto
nascido
da
própria corrupção
da
doença
só
se cura
com
a negação
do
sim e do não
com
o pão
que
nem mesmo o diabo
aceitou
isso
que sinto
só.
Talles Azigon
Talles Azigon
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Suassuna
Não
precisamos dos mouros
as
coisas, mantemo-nas funcionando
Por
incapacidade própria.
Para
que exportar a morte
Se
sabemos morrer por si só?
Dessas
outras vaidades
Nosso
jardim está repleto.
Esse
movie imóvel nosso
Não
carece
De
participação especial.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Lectura
As ruas do centro da cidade
são feitas de asfalto, carros, poeira e calor.
O meu poema é feito de letras
dúvidas, sentimentos e esperanças.
Eu me falto.
Espero
(quem espera
sempre alcança
a distância entre sua própria espera e a esperança)
olhar daqui dessa página,
desse tablet,
dessa tela de computador
ou qualquer que seja
o suporte que tenham
inventado para suportar
a minha dor,
Teus olhos.O.O
E no fundo de mim em ti
nos lermos.
domingo, 2 de dezembro de 2012
Atentado
Eu
armarei para ti
com
faca e garfo
com
metralhadora
dispararei
em cheio
no meio do teu peito
o
poema mais bem feito
mais
orgânico,
que
deixaria
qualquer
estátua de bronze
em
estado agônico.
Tu
vais cair de joelhos
e
tua casca dura
de
pura
insensibilidade
vai
estilhaçar em tantas partes
que
não vais resistir
e
vais morrer
na
beleza de um
infarte
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Cobranças
Cobra
os cobres
que
faltam na minha
carteira
Cobra
as horas
diluídas
em um dia de
inércia
Cobra
o interesse
daqueles
que não mais te
interessam
Cobra
a possibilidades de amor
que
te prometeram via
computador
Cobra
a materialidade
das
palavras trocadas
(estariam
equivocadas?)
domingo, 25 de novembro de 2012
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
Cidade
A cidade morta
A cidade torta
A cidade cobra
Uma horta menos venenosa
A cidade aborta
A cidade porta
De outras cidades
Que brotam
Como um poste de mágica
De uma mesma
Aparente
Única cidade
Cidade santa
Confode com a cidade puta
E as minorias em maior número
Somem nos dedos de preciprédios
Poliúnica
Cidade
Que rima tão dificilmente fácil
Com identidade
[ descobri por exemplo deste poema que a cidade é uma abstração assim come eu ]
domingo, 1 de abril de 2012
1º de Abril
Clara Mente
Rara Mente
Real Mente
Fatal Mente
Comum Mente
Deliberada Mente
Fugaz Mente
Teórica Mente
Paralela Mente
Perfeita Mente
Livre Mente
Certa Mente
Errônea Mente
Perigosa Mente
Fácil Mente
Difícil Mente
Preguiçosa Mente
Artística Mente
Débil Mente
Displicente Mente
Calma Mente
Democrática Mente
Feroz Mente
Geral Mente
Languida Mente
Possível Mente
Mortal Mente
Prudente Mente
Verdadeiramente Mente
Gente!
A coisa não está direita
Quem é que fala verdade
Nesse planeta?
domingo, 18 de março de 2012
Olhos
Diabos!
Os Poetas Provençais
E os artistas impressionistas
Desejaram corpos, mulheres nuas.
Eu, desejo olhos.
Dois olhos que me perturbam.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Pessoal
FotoArte do Grande Gloenden
Interessa-me teus passos,
Teu cabelo, teus olhos, me interessa.
Tua mão chama
Minha atenção
Teus despropósitos
Tua fortuna cínica
Teu medo da morte e da solidão
Tua certeza
Essa tua certeza
De se achar ser o que se é
É o alvo principal do meu interesse.
O silêncio
Nossos corpos
Nossas mentiras
Nossos jogos
Nosso ficar e depois partir
E esse vazio-saudade,
Essa vontade de continuar a existir
Só para reler mais vezes
Os teus pecados
Interessa-me.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Mendigo de Amor
Ícaro - Tela de Matisse
Mendigo de amor
Não ganha um inteiro
Só cata pedaços
Recolhe farelos
Suspira acordado
Esperando o inchegável
Amor verdadeiro.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Do que não precisamos
Algumas saudades
São apenas bobagens
Feridas que abrimos
Que com o tempo sentimos
Já ser hora de fechar.
Mas, certas feridas,
Maninha,
De tão antigas
São quase impossíveis
De curar.
Certas dores,
Maninha
Nos não permitimos passar.
Tudo invenção
Tudo culpa da nossa culpa
Tudo fuga do nosso eu.
É que maninha,
Aquela dorzinha no peito
Às vezes vicia.
E a nossa coragem
De tirar o que não somos
Do que realmente somos
Silencia.
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