- Estamos parados, Ligia!
Ligia escutava tudo parada naquela parada da avenida
Godofredo Maciel, naquele dia parado de um feriado santo, diferente
dela que não era santa e queria mesmo era movimento de coxas,
pernas, cinturas.
Contudo,
tudo estava parado.
Os cinqueta e oito dias de namoro passaram inertes.
Todos os beijos, todos os toques, aconteceram de tal modo que nada
tivesse acontecido.
Para tudo
parados.
Então por que ela discordaria? Não, ela não
discordou, sorriu e do sorriso nasceram novas possibilidades,
desapegou-se da mão dele, começou a dançar.
Correu ate o meio da avenida e dançava, dançava. Tudo
se movia a cada movimento seu, menos ele que de perplexo permanecia
parado na parada de ônibus sem saber se namorava com uma artista ou
uma louca ou se era tudo a mesma coisa.
- Sai daí perturbada! - O tio do taxi gritou, acenou
com a cabeça resmungando como esse mundo estava perdido.
- Ligia, pô! Vamos embora, olha o Zé Walter tá vindo
aí.
- Vai só bebê, eu vou continuar aqui parada, dançado,
mas parada.
Ele nem entendeu mesmo, deu o sinal, pagou a passagem,
não resistiu e deu um ultimo olhar.