terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Ranhuras no cotidano


Aqui existia uma escola, hoje se tem prédios; eu não os vejo, vejo a escola que por um momento não lembro o nome, porém torna e quando torna toda ela é concreta e surge diante dos meus olhos, para me convencer que os espaços são feitos pelo que sentimos de modo que ao passar pelas ruas da Maraponga ainda vejo escolas mortas e pés de jambos; ela toda é e existe com escolas mortas e pés de jambos, tudo sempre como ontem, enxergo com olhos de passado.

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Um homem galopa a cavalo, com se fosse ontem, se eu não tivesse feito à escolha de descumprir uma obrigação não teria visto isso, como não teria escutado esses pássaros, não teria sentido esse vento, não teria expulsado essa formiga e todos esses presentes de vida improvisada que agora ganho da lagoa da Maraponga.

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Verdade que eu deveria estar fazendo minha obrigação, mas não fazer também me obriga.

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Aqui redescubro um território que é tão meu, redescubro que tenho medo de gentes. Queria estar só, sendo que estar só é impossível.

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Esquadrinho minha memória para descobrir em que momento eu ganhei o medo de gentes. Não, eu não tenho medo de gentes, nunca tive, tenho medo de perdas.
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Territórios, terrenos transitórios. Nem sei o porquê desse pensamento, sei que de alguma maneira esse pensamento me salva o dia. 

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Decifra-me e devoro-te