sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Parados



- Estamos parados, Ligia!
Ligia escutava tudo parada naquela parada da avenida Godofredo Maciel, naquele dia parado de um feriado santo, diferente dela que não era santa e queria mesmo era movimento de coxas, pernas, cinturas.
Contudo,
tudo estava parado.
Os cinqueta e oito dias de namoro passaram inertes. Todos os beijos, todos os toques, aconteceram de tal modo que nada tivesse acontecido.
Para tudo
parados.
Então por que ela discordaria? Não, ela não discordou, sorriu e do sorriso nasceram novas possibilidades, desapegou-se da mão dele, começou a dançar.
Correu ate o meio da avenida e dançava, dançava. Tudo se movia a cada movimento seu, menos ele que de perplexo permanecia parado na parada de ônibus sem saber se namorava com uma artista ou uma louca ou se era tudo a mesma coisa.
- Sai daí perturbada! - O tio do taxi gritou, acenou com a cabeça resmungando como esse mundo estava perdido.
- Ligia, pô! Vamos embora, olha o Zé Walter tá vindo aí.
- Vai só bebê, eu vou continuar aqui parada, dançado, mas parada.
Ele nem entendeu mesmo, deu o sinal, pagou a passagem, não resistiu e deu um ultimo olhar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Decifra-me e devoro-te